Caminhada nórdica gasta o dobro do exercício convencional

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A regra de ouro entre as novas atividades físicas parece ser uma só: maior quantidade de calorias gastas no menor tempo possível. Seguindo essa máxima, a caminhada nórdica promete ser a nova mania entre os brasileiros e vem ganhando simpatizantes em todo o País. Portanto, não estranhe ao se deparar com alguém, debaixo de um sol escaldante, suando com dois bastões na mão.

O adepto mais famoso – e um dos responsáveis pela disseminação da modalidade que nasceu na Finlândia, como base de treino de verão dos esquiadores profissionais – é o escritor Paulo Coelho.

Foto: Amana Salles/FotoarenaA base do exercício, como o nome já deixa claro, é a caminhada tradicional. O grande diferencial, no entanto, é a utilização de dois bastões semelhantes aos de esqui.

“Os sticks devem impulsionar o corpo, projetá-lo adiante, aumentando a amplitude de cada passada e envolvendo músculos que normalmente não participam da caminhada regular, como os dos membros superiores”, esclarece Cida Conti, professora da técnica e diretora da Fit-Pro, empresa que prepara programas de atividades físicas.

“Não é um ‘caminhar de bengalas’. O bastão é empurrado para trás, como uma extensão do braço”, explica Fábio Ravaglia, presidente do Instituto de Ortopedia e Saúde e adepto do exercício. A caminhada nórdica ativa 90% dos músculos do corpo, contra 70% do treino regular, compara Conti.

Com mais músculos trabalhando, é natural que o gasto calórico aumente: a estimativa é que sejam consumidas 450 calorias por hora, o dobro do condicionamento tradicional.

“Perde-se mais peso sem aumentar a sensação de esforço. Você intensifica a atividade, sem desconforto”, garante a professora. Com mais empenho, o condicionamento pulmonar também melhora.

Os bastões também diminuem a pressão exercida nos quadris, joelho e tornozelos, reduzindo o impacto nessas regiões, e ajudam a manter o equilíbrio, dando mais estabilidade e segurança, ideal para idosos ou pessoas com dificuldades motoras.

Desde a aparição como uma atividade física, a caminhada nórdica tem sido alvo de diversos estudos que comprovam a relação com o aumento do condicionamento físico, a perda de peso e a redução da pressão arterial. No entanto, as novas pesquisas apontam esse exercício como uma boa forma de combater a osteoporose, doença de Parkinson e fibromialgia.

Cuidados

Mas a caminhada não é tão simples quanto parece. O movimento com os bastões precisa ser correto.

“Ele deve ser fincado no meio da pisada, a um ângulo de 45%, diagonalmente. Vai acompanhando o movimento até atrás, há quase uma extensão do braço. Nesse momento, abre-se a mão que segura levemente o stick e coloca-o novamente na angulação correta”, ensina Cida Conti.

Para evitar possíveis lesões, o acessório precisa ser regulado corretamente. O stick deve ter 68% da altura do usuário (para calcular, multiplique a sua altura por 0,68), instrui Ravaglia. No mercado, existem bastões reguláveis e outros com alturas fixas que vão subindo de cinco em cinco centímetros a partir do 105.

“Se a pessoa optar pelo fixo e seu cálculo der um número quebrado, por exemplo, 117 centímetros, deve comprar o modelo menor se for principiante e o maior se for experiente”, recomenda Cida. Essa diferença, explica, é porque quanto maior o bastão, maior a força para estender o cotovelo e fincá-lo no chão.

A professora também alerta para o momento da compra do acessório: “Cuidado para não levar os que são utilizados para trekking. Eles não têm a luva que garante o movimento perfeito na caminhada.”

Os especialistas recomendam que essa atividade seja realizada por trinta minutos, cinco vezes por semana, para quem quer melhorar o condicionamento físico e cardiopulmonar.

“Em seis semanas já é possível perceber a melhora”, afirma o ortopedista.

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