Ordem cronológica dos principais atos que mudaram a história do Brasil

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Entenda como aconteceram os atos que mudaram a história do Brasil e fique por dentro dos principais fatos.

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Início dos Atos – 6 de junho de 2013

O MPL (Movimento Passe Livre) faz seu primeiro ato no centro de São Paulo, reunindo de 500 a 2.000 pessoas, segundo a polícia. A marcha começa no centro da cidade e se espalha pelas avenidas 23 de Maio, 9 de Julho e Paulista, infernizando o trânsito. Já nesta fase embrionária dos protestos, manifestantes dão provas do poder de mobilização e influência apartidária nas redes sociais.

No início desses protestos não há negociação quanto aos itinerários das marchas, o objeto dos protestos são o aumento das tarifas de ônibus. No mesmo dia, outras três capitais foram palco de protestos ( Rio, Goiânia e Natal.

 

 

manifestacao-passagem-sao-paulo-size-598Mascarados – 7 de junho de 2013

Protestos se espalham pelo Brasil. Manifestantes adotam a máscara de Guy Fawkes, símbolo do grupo hacker Anonymous.

 

“Não é aceitável. É uma atitude absurda. A polícia tem de agir, não pode se omitir”

Declaração do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, em relação aos atos de vandalismo.

 

 

08d89uork44ebctgjhbmoe1e5Proporção dos protestos

Protesto fecha novamente importantes avenidas de São Paulo, Rio e outras grandes Capitais.

 

Resistência e força – 10 de Junho de 2013

Após o primeiro ato, um dia depois, numa demonstração de resistência e poder de mobilização, o MPL  levando milhares de pessoas às ruas, segundo a Polícia foram mais de 4.000 manifestantes. A marcha começa no Largo da Batata, zona oeste de São Paulo, e interdita a Avenida Brigadeiro Faria Lima, Avenida Rebouças, Marginal Pinheiros e Paulista. Cerca de 12 ônibus são depredados.

Barricada

620x465xincendiado.jpg.pagespeed.ic.6vDc9J19mCPolícia age com violência e manifestantes no Rio reagem colocando fogo em lixo e cones de trânsito.

 

Confusão no Rio – 11 de Junho de 2013

Protesto no centro do Rio mobiliza cerca de 300 pessoas e também termina em confusão. Ao menos 31 pessoas são detidas.

 

“Nós não iremos tolerar candidatos e ex candidatos à cargos políticos, muito menos líderes partidários usarem o nosso movimento como escada de oportunismo”

De um dos líderes da organização dos protestos no Rio.

 

Foto: Redação CN
Foto: Redação CN

Protestos tomam conta do Centro do Rio – 13 de Junho de 2013

Centenas de milhares de pessoas tomam conta do Centro do Rio em ato contra o aumento das passagens.

 

vaias em dilmaDilma vaiada – 16 de Junho de 2013

A presidente Dilma Rousseff é vaiada na abertura da Copa das Confederações.

 

“Amigos do futebol, onde está o respeito, onde está o fair play?”

Fala do presidente da Fifa, Joseph Blatter, em reação às vaias a Dilma Rousseff, gerando ainda mais irritação nas arquibancadas do Mané Garrincha, no Distrito Federal.

 

Copa vira alvo dos protestos – 17 de Junho de 2013

Os alvos dos protestos em Brasília e Rio se multiplicam, dessa vez as manifestações são contra os gastos com os estádios da Copa. A manifestação no Rio reúne cerca de 300 manifestantes, que teve início por volta das 15h nos arredores do Maracanã e se estende até a noite, com cinco pessoas detidas. Na capital federal, cerca de 500 manifestantes tomam parte do Eixo Monumental e avançam rumo ao Estádio Nacional de Brasília, palco da abertura da Copa das Confederações.

 

922707_598094183556867_565937415_nPolicial é espancado no Rio – 17 de Junho  de 2013

Durante o tumulto ao redor da Assembléia Legislativa do Rio, na noite de segunda-feira, registra o momento em que um policial militar é espancado covardemente por um grupo de manifestantes.

 

“Não sei a motivação dessas pessoas, não sei que pleitos têm, não sei os objetivos. Assim não há como iniciar uma negociação”

Fala do presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves

 

vemprarua“Vem pra rua, vem”

Pegando carona em um comercial de carros, frase estimula os manifestantes nas mobilizações.

 

Alerj cercada

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No Rio, dezenas de policiais são encurralados na Assembléia Legislativa do Rio, a Alerj, e pelo menos vinte são feridos. O conflito dura horas e só acaba quando 150 policiais da tropa de choque entram na Assembléia, com cães, escudos e capacetes, bombas de gás lacrimogênio e armas.

 

 

 

Multidões nas ruas – 18 de Junho de 2013

Para medo dos políticos, centenas de milhares de pessoas saem às ruas das principais cidades do país. Para além do preço das tarifas de ônibus, as marchas passam a canalizar todo tipo de insatisfação: com os governos, os partidos, o Congresso, a corrupção, a Copa, a PEC 37 etc. São as mais massivas demonstrações públicas desde as passeatas pelo impeachment do então presidente Fernando Collor, em 1992.

anonymous-banco-central-brasilCom nível superior, sem partido e jovem

Segundo Datafolha, a maioria dos manifestantes tem menos de 25 anos (53%), não tem preferência partidária (84%), têm nível superior, completo ou incompleto (77%) e se informaram do ato pelo Facebook (85%). Estudantes são 22%, contra 5% na população geral. Em enquete de múltipla escolha, a maioria (56%) aponta o aumento da passagem como motivo para protestar, mas outras causas já se misturam: contra corrupção (40%), contra a violência/repressão (31%), por um transporte de melhor qualidade (27%) e contra os políticos (24%). Uma minoria (14%) defende a tarifa zero, bandeira original do Passe Livre.

 

 

PaulistaNão somos governo, muito menos oposição

Aos milhares, manifestantes voltam às ruas das principais cidades do país. Não poupam partidos, governos ou oposição, e o roteiro se repete: enquanto uma maioria marcha pacificamente, uma minoria de vândalos se disfarçam de manifestantes e transformam ruas e avenidas em praças de guerra.

Mal-estar difuso

20centavos

O símbolo estimulador dos protestos visto através da tarifa zero, mesmo diluída em meio a outras causas, entra para a ordem do dia. Os governos em várias esferas, atordoados pelo vigor dos protestos, começam a recuar com o abatimento de planos e orçamentos recalculados para a diminuição dos preços das passagens. Em quatro capitais, é anunciada a redução da passagem.

“O Brasil hoje acordou mais forte” – 19 de Junho de 2013

Declaração da presidente Dilma Rousseff, tentando se livrar dos alvos dos protestos.

 

Agora reféns

brasil-tarifa-transporte-publico-haddad-alckmin-sp-20130619-01-size-620Notadamente envergonhados e constrangidos, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o prefeito da capital, Fernando Haddad, se dobram à exigência do MPL e revogam o reajuste das tarifas. O prefeito do Rio, Eduardo Paes nas mesmas condições psicológicas, faz o mesmo. Ninguém sabe de onde sairá o dinheiro para cobrir o rombo. Haddad antecipa: ‘O investimento fica comprometido’.

 

 

Nos principais acessos

Os protestos continuam, com cada vez mais bloqueios em rodovias. Em São Paulo, os manifestantes param a Régis Bittencourt, a Anchieta e a Castello Branco. No Rio, um bloqueio fecha a Ponte Rio-Niterói.

A história nas ruas – 20 de Junho de 2013

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Em um dia histórico, mais de um milhão de brasileiros voltam às ruas em cerca de 100 cidades, incluindo 11 capitais. São multidões não ideológicas cansadas de corrupção e descaso. Os protestos atingem em cheio o centro do poder. A presidente Dilma Rousseff fica quase duas horas acuada no Palácio do Planalto, enquanto a multidão brada contra corrupção, a PEC 37 e os gastos com a Copa.

 

Sem partido! Somos Apartidários – 21 de Junho de 2013

Grupo coloca fogo em bandeira de partido político durante protesto desta quinta-feira

Dilma e seu pronunciamento

Pronunciamento-DilmaCom críticas a manifestantes, o MPL anuncia que não convocará mais passeatas em São Paulo. Mas a bandeira do grupo já foi engolida por outras demandas, e os manifestantes continuam nas ruas. Em São Paulo, eles fecham a Via Dutra nos dois sentidos e bloqueiam acessos aos aeroportos. No Rio de Janeiro, fecham a Via Amarela. À noite, a presidente Dilma Rousseff faz um pronunciamento de dez minutos em cadeia nacional sobre os protestos no Brasil. Curva-se à voz das ruas, mas defende o ‘primado da lei e da ordem’.

 

A Luta continua – 22 de Junho de 2013

Mesmo com o pronunciamento de Dilma Rousseff, os protestos continuam varrendo o país. Em Belo Horizonte, uma manifestação que começa pacífica, reunindo 60 mil pessoas, termina de novo em tumulto. Em Salvador, o protesto começa horas antes de Brasil vs. Itália, pela Copa das Confederações, na Arena Fonte Nova. O Movimento Passe Livre recua e diz que, mesmo com a redução das tarifas, vai continuar nas ruas. O foco: tarifa zero.

O que é a PEC 37? O MP vai às ruas – 24 de Junho de 2013

PEC-37-DHPromotores participam de atos no Rio de Janeiro e Porto Alegre contra a PEC 37. Mas muita gente ainda não sabe ao certo do que se trata essa proposta de emenda constitucional.

Dilma tenta manobrar

Por Roberto Stuckert Filho/PRAssim como os Governadores e demais políticos, presidenta Dilma Rousseff  também se sente refém pelas manifestações e se reúne com 26 prefeitos e 27 governadores e propõe cinco pactos, entre eles um plebiscito que autorize a instalação de uma Constituinte toda dedicada à reforma política. Com a manobra, imediatamente contestada por juristas, oposição e até membros da base aliada, Dilma tenta empurrar para o Congresso a pressão que bate à porta do Palácio do Planalto.

 

Mais protestos – 25 de Junho de 2013

Em Porto Alegre, um protesto de 10 mil pessoas acaba outra vez em vandalismo e confronto com a polícia. Quinze são presos. No Rio, a mobilização é mais tímida: cerca de mil pessoas protestam no centro da cidade e desta vez não dão trabalho à polícia. Segundo manifestantes do Rio o movimento começou a perder força quando políticos oportunistas começaram a se pronunciar em favor do movimento, usando discursos  direcionados contra os políticos que estão no poder.

Movimento Passe Livre volta às ruas – 26 de Junho de 2013

Sem-teto, grupos de esquerda e o Movimento Passe Livre protestam na zona sul de São Paulo. Pelas estradas, manifestantes bloqueiam a Via Dutra, Raposo Tavares e Castello Branco (no interior de São Paulo); a BR-290 (nos arredores de Porto Alegre); o Anel Rodoviário da BR-381 (na região metropolitana de BH); e a BR-251, em Goiás. Também há protestos no Rio, Niterói, Aracaju, Florianópolis e Sumaré (SP).

Cansaço

Após a redução das tarifas e a rejeição da PEC 37, as manifestações dão sinais de cansaço. Belo Horizonte assiste à maior e mais violenta das manifestações do dia, confirmando previsão da Polícia Militar, com nove pessoas feridas e 26 detidas. Apesar das cenas de vandalismo – pelo menos duas concessionárias de carros foram incendiadas -, a polícia consegue impedir que um grupo de marginais encapuzados alcance o estádio do Mineirão, palco do jogo da seleção brasileira pela Copa das Confederações. Embora esvaziados, protestos também acontecem em Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Belém e Recife.

Agora Corrupção é Crime hediondo – 26 de Junho de 2013

brasil-politica-senado-pedro-taques-20130521-79-size-598Senadores aprovam projeto de lei que altera o Código Penal para tornar hediondos os crimes de corrupção e outros delitos contra a administração pública. Os crimes hediondos não permitem que o condenado receba anistia, graça ou indulto, impedem fiança e tornam mais rigoroso o acesso a benefícios como liberdade condicional e progressão de regime.

 

f_182333Futebol no Congresso com direito a centenas de bolas – 27 de Junho de 2013

Em silêncio, manifestantes chutam 594 bolas sobre o espelho d’água à frente do Congresso, uma para cada deputado (são 513) ou senador (são 81).

Principais Eixos

Segundo os ministros da Educação, Aloizio Mercadante, e da Justiça, José Eduardo Cardozo, o governo deve mandar ao Congresso uma proposta de plebiscito contendo apenas ‘os principais eixos’ da reforma política, entre os quais os dois pontos que mais interessam ao PT: o formato de financiamento de campanha e o sistema de votação para vereador e deputado.

Ritmo acelerado

plenario-camara-federal-20120418-02-size-598Em votação simbólica, o Senado aprova requerimento que permitirá ao projeto do passe livre para estudantes tramitar em regime de urgência. Em dois dias, sete matérias relevantes são aprovadas em plenário. São elas:

  • Acaba com o voto secreto nos processos de cassação de mandato de deputados e senadores. Chegou à Câmara em 2007 e foi aprovada cinco anos e nove meses depois pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa, colegiado que não analisa o mérito da proposta – apenas se ele fere ou não preceitos constitucionais. O texto ainda vai passar por uma comissão especial, que não foi formada e, em seguida, será levado ao plenário para votação em dois turnos. Aprovada na Câmara, a PEC ainda precisa do aval do Senado.
  • A receitas que União, estados e municípios recebem de empresas petroleiras a título de royalties terão de ser aplicadas na proporção de 75% para educação e 25% na área de saúde. O projeto chegou à Câmara há cerca de um mês e já foi aprovado pelo plenário da Casa por pressão do Palácio do Planalto. Ainda precisa passar pelo plenário do Senado.
  • Reduz a zero as alíquotas das contribuições sociais para o PIS/Pasep e a Cofins incidentes sobre os serviços de transporte público coletivo municipal rodoviário, metroviário, ferroviário e aquaviário. Chegou à Câmara em 2011. A redução a zero das alíquotas para os serviços de transporte coletivo já estava em vigor devido à edição da Medida Provisória 617, mas a comissão mista do Congresso que precisa analisar o texto da MP ainda não foi instalada. A proposta ainda precisa do crivo do Senado.
  • Inclui a garantia de transporte público no grupo de direitos sociais estabelecidos pela Constituição ao lado de educação, saúde, alimentação, trabalho e moradia. A proposta de emenda constitucional sobre o tema foi apresentada em 2011 na Câmara e acabou aprovada apenas na Comissão de Constituição de Justiça (CCJ) da Casa. A PEC ainda precisa passar por uma comissão especial de deputados, ser votada em dois turnos no plenário na Câmara e depois ainda ser analisada no Senado.
  • Depois de ganhar a atenção do país ao integrar o cardápio de reivindicações dos protestos nas ruas, a PEC 37 foi derrubada por 430 votos a 9 em sessão realizada na noite de terça-feira. A emenda constitucional reduziria os poderes de investigação do Ministério Público ao determinar que as polícias “privativamente” conduziriam processos de apuração. Quando foi apresentada em 2011, a emenda tinha o apoio de 207 deputados.
  • Transforma em hediondo o crime de corrupção passiva e ativa, concussão (exigir, em razão da função pública, vantagem indevida), homicídio simples, excesso de exação (quando o servidor cobra além da quantia devida por um tributo) e peculato e cria um novo tipo penal, o de peculato qualificado, definido quando praticado por agentes políticos, como o presidente da República, deputados e senadores. Foi apresentado ao Senado em 2011 e aprovado no plenário. Ainda precisa ser analisado pela Câmara dos Deputados.
  • Estabelece novas regras para a distribuição dos recursos do Fundo de Participação dos Estados (FPE), formado por 21,5% da arrecadação do imposto de renda e do imposto sobre produtos industrializados (IPI) e dividido na proporção de 85% para estados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste e 15% para o Sul e Sudeste – a partir de 2016. Chegou ao Congresso em 1991 e só foi aprovado após o Supremo Tribunal Federal (STF) ter dado prazo até 31 de dezembro de 2012 para que uma nova regra fosse definida pelos parlamentares. O Congresso não cumpriu o prazo e conseguiu uma liminar garantindo mais 150 dias para a tramitação da proposta.

Por: Redação CN

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