Brasil obtém protagonismo ao reduzir desmatamento, diz secretário

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Foto: Arquivo
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De 2005 a 2010, segundo estimativas do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o Brasil reduziu 76,1% de suas emissões de gases de efeito estufa em mudança de uso da terra. O número puxou a queda das emissões nacionais em cinco setores da economia para 38,7% no mesmo período. Em compensação, agropecuária (5,2%), energia (21,4%), processos industriais (5,3%) e tratamento de resíduos (16,4%) apresentaram acréscimos.

 “Realmente a boa notícia da mitigação tem sido a redução dos desmatamentos da região tropical”, destacou o secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do MCTI, Carlos Nobre. “Felizmente, a tendência não é só do Brasil, mas principalmente do Brasil. Os desmatamentos tropicais têm diminuído na Amazônia como um todo, na África equatorial e no sudeste asiático. Há 15 anos, o setor chegava a ocupar até 25% das emissões globais, mas hoje a proporção não passa de 9%, com tendência a diminuir.”

relatório de estimativas de emissões antrópicas faz parte do compromisso voluntário nacional no contexto da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima, assumido em 2009. Anualmente, o governo federal deve atualizar o documento para permitir o acompanhamento da meta do Brasil, que precisa reduzir os valores entre 36,1% e 38,9% até 2020.

Para o secretário, os resultados conferem à nação, “agora de fato”, um protagonismo nas discussões mundiais sobre mudanças climáticas. “O Brasil hoje não fala só em princípio, mas como um país com uma importante contribuição nos últimos anos à mitigação desses efeitos, com muito mais autoridade para realmente cobrar responsabilidade dos outros”, disse. Confira a apresentação do titular de Pesquisa e Desenvolvimento.

Exemplo

Nobre enfatizou que a responsabilidade assumida pelo Brasil serve de exemplo para outras nações em desenvolvimento. “O Inpe [Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, unidade do MCTI] tem disseminado suas tecnologias de monitoramento de alteração das florestas tropicais para países da América do Sul, da África e da Ásia”, informou. “Indiscutivelmente, somos líderes mundiais nessas técnicas. O satélite é um olho muito importante para nos dizer onde o desmatamento está ocorrendo, mas o Brasil ligou essa capacidade que a tecnologia nos permite com políticas ativas de redução, com sucesso.”

O diretor Leonel Perondi observou que os mapas gerados pelos programas de sensoriamento remoto do Inpealimentam a inteligência do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama/MMA) na fiscalização.

O secretário Nobre completou seu raciocínio ao citar declaração do ministro Marco Antonio Raupp na manhã desta quarta-feira (5), Dia Mundial do Meio Ambiente, em evento no Palácio do Planalto. “Qual a base econômica sustentável para essa região de florestas tropicais?”, questionou Nobre. “Nós temos que desenvolver uma nova economia a partir de ciência e tecnologia.”

A diretora de Políticas e Programas Temáticos do MCTI, Mercedes Bustamante, apontou a importância de conhecer tendências de emissões de gases de efeito estufa. “Inventários confiáveis representam uma ferramenta fundamental para o acompanhamento da Política Nacional sobre a Mudança do Clima”, afirmou. “O relatório pode abrir novas opções de mitigação, permitir monitorar a eficácia das políticas públicas e ajudar a desenhar cenários.”

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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