Quarto satélite feito em parceria entre Brasil e China é lançado ao espaço

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Cbers-3 foi lançado na madrugada desta 2ª, após 3 anos de atraso.
Satélite vai ocupar vácuo deixado após desligamento do Cbers-2B.

Brasil lança ao espaço quarto satélite feito em parceria com a China (Foto: Carlos Santos/ G1)
Parte dos pesquisadores do Inpe acompanhou lançamento de satélite em São José dos Campos (SP).
(Foto: Carlos Santos/ G1)

O quarto satélite brasileiro feito em parceria com a China foi lançado na madrugada desta segunda-feira (9) ao espaço. O Cbers-3 foi lançado à 1h26 (horário de Brasília) ao espaço pelo foguete Longa Marcha 4B, que decolou da base de Taiyuan, a 760 km de Pequim, na China. O sucesso da operação só foi confirmado à 1h41, cerca de 15 minutos depois do início do procedimento, quando foi concluída a abertura do painel solar do equipamento.

Os ministros de Comunicação, Paulo Bernardo, e de Ciência e Tecnologia, Marco Antonio Raupp, e o direto do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Leonel Perondi, acompanharam o lançamento do satélite na China. No Brasil, o lançamento foi acompanhado por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) em São José dos Campos (SP).

 Satélite CBERS (Foto: Editoria de Arte/G1)

“Tem toda uma equipe que trabalha anos no projeto e essa parte final é a que toca a gente. Agora, a expectativa vem pela qualidade das imagens. Na terça-feira já teremos as primeiras imagens e por três meses vamos aprimorar o sistema, fazer ajustes para o satélite funcionar perfeitamente. Somente depois desse período é aberto aos usuários”, explicou o técnico do Inpe, José Carlos Epiphanio.

O lançamento aconteceu três anos após a data prevista inicialmente pelo Inpe, que desenvolveu o projeto em parceria com a Academia Chinesa de Tecnologia Espacial (Cast, na sigla em inglês). O satélite vai ajudar a monitorar o território brasileiro e suas transformações ao longo do tempo.

Quatro câmeras, de diferentes resoluções e capacidade de captação, vão coletar imagens com maior qualidade de atividades agrícolas e contribuir com o monitoramento da Amazônia, auxiliando no combate de possíveis desmatamentos ilegais e queimadas – foco de projetos ligados também ao Ministério do Meio Ambiente, como o Prodes e o Deter.

Se atualmente o satélite Landsat, de propriedade da agência espacial americana (Nasa), demora 16 dias para registrar toda a Amazônia brasileira, uma das câmeras do Cbers-3 conseguirá imagens do bioma em 5 dias, com uma largura de 850 km cada. Duas das câmeras foram feitas com tecnologia 100% nacional.

Atraso e distribuição de imagens
Dificuldades para criar novas tecnologias espaciais, consideradas complexas, atrasaram o programa, segundo o diretor do Inpe, Leonel Perondi. O Cbers-3 vai substituir um vácuo deixado pelo Cbers-2B, que encerrou suas atividades em 2010.

Desde então, o programa sino-brasileiro ficou sem equipamentos para fornecer imagens aos países parceiros. Também foram lançados o Cbers-1 e Cbers-2, que já não funcionam.

Por dia, o Cbers-3 dará 14 voltas na Terra, no sentido Norte-Sul. Cada volta dura 100 minutos, segundo o Inpe. A cada 26 dias, o satélite terá mapeado totalmente o Brasil.

A produção do equipamento custou R$ 160 milhões ao Brasil, que tem 50% de participação no Cbers-3. O esforço dos dois países, segundo o Inpe, tem o objetivo de derrubar barreiras que impedem a criação e transferência de tecnologias sensíveis impostas por países desenvolvidos.

Em entrevista anterior ao lançamento, Perondi disse que apesar da parceria com a China, dados considerados estratégicos para o governo brasileiro serão restritos ao governo do Brasil, assim como informações consideradas importantes para a China serão enviadas apenas para os chineses.

A unidade do Inpe instalada em Cuiabá (MT) será responsável por receber do satélite as imagens para análise. Cerca de 200 pessoas do instituto estão envolvidas na operação do satélite. O equipamento terá vida útil prevista de três anos. O Inpe confirma também que nos próximos dois anos será desenvolvido o Cbers-4, projeto que também deve custar R$ 160 milhões aos cofres públicos e que terá o objetivo de substituir o novo orbitador.

 

Via G1.com

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