RIO BONITO: Lona na Lua encerra mais uma temporada de sucesso. Diretor relembra trajetória e se emociona

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Zeca Novais conversa com a coluna e fala dos cinco anos de lutas e realizações

O clima era de calmaria. Silêncio. O cenário da peça Minha Casa, Minha Vida permanecia montado. E foi em meio a arte que descansava, após quatro fins de semana consecutivos de apresentação com lotação máxima que o diretor e idealizador do Lona na Lua, Zeca Novais, abriu seu coração para uma conversa franca sobre o projeto, sociedade, cenário cultural da cidade e futuro.

Acompanhado de sua namorada, Natália Di Vaio, produtora do recém encerrado espetáculo, e responsável pela parte administrativa e burocrática, Zeca também conta com a ajuda de sua mãe, Fátima Novais.“Minha família toda está aqui dentro!” – enfatiza, antes de explicar o conceito da última peça.

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Zeca e Natália: “A arte tem que ser bem feita porque o público é exigente. A Lona dá certo porque temos qualidade”.

“As críticas são dirigidas não só aos políticos, mas à sociedade como um todo. Alguns programas sociais não são feitos da maneira como deveriam e as pessoas aceitam ser massa de manobra”.Mostramos um sistema que nos prejudica, assim como nossas atitudes. Falamos dos dois lados: a sociedade que não se ajuda e os políticos” – Completou Natália, com um olhar de cumplicidade.

“Não podemos apenas esperar  a classe política tomar iniciativa das coisas.”

Mais de 1500 pessoas assistiram ao Minha Casa, Minha Vida. Meia hora antes de começar, a fila para entrar era enorme, composta por um público heterogêneo, mas que tinha em comum a sensação de ansiedade e a vontade de rir e se emocionar. Alguma fórmula especial para estar sempre com lotação esgotada? “Eu mostro o que o público quer ver. A casa tem que estar sempre cheia. Muitos artistas reclamam mas não fazem nada. Arte, pra mim, tem que fazer barulho, pois tem que soar como uma sirene, já que nossa situação é emergencial (da cultura).

 

Renovação do Elenco

“O que eu posso dizer é que foi um processo doloroso, porque a garotada que esteve comigo esse tempo todo (quando eu ainda dava aula nas escolas e nas comunidades) e conquistou tantos prêmios desde o início, antes da Lona, teve que começar a trabalhar. Muitos também entraram na faculdade, e graças a Deus, a maioria seguiu o caminho do bem. Porque mais do que artista, eles tem que ter a noção de o que é ser cidadão. A Lona contribuiu para que seguissem suas vidas.”

“Essa molecada que chegou agora é muito esforçada. Posso dizer que são muito guerreiros. As duas protagonistas, Natália Fernandes e Gabriele Rangel, moram no distrito de Braçanã e tem toda essa dificuldade de transporte. Posso dizer que a cidade de Rio Bonito inteira está representada nesse palco. Temos gente do Ipê, Parque Andréa, Basílio, Boqueirão… Os que estão em cena atualmente têm de dez a dezoito anos de idade. É maravilhoso trabalhar com eles. Costumo deixar as coisas fluírem e só agendamos um espetáculo quando estiverem seguros e preparados. A arte tem que ser bem feita porque o público é exigente. A Lona dá certo porque temos qualidade”.

“Eu mostro o que o público quer ver. A casa tem que estar sempre cheia. Muitos artistas reclamam mas não fazem nada.Arte, pra mim, tem que fazer barulho, pois tem que soar como uma sirene, já que nossa situação é emergencial (da cultura).”

“...já conseguimos mostrar que o Lona na Lua é um lugar de famílias. Minha mãe está aqui comigo, meu pai, minha irmã, minha namorada e se Deus quiser, meus filhos.”
“…já conseguimos mostrar que o Lona na Lua é um lugar de famílias. Minha mãe está aqui comigo, meu pai, minha irmã, minha namorada e se Deus quiser, meus filhos.” Zeca Novais

O próximo espetáculo que está sendo montando é a Família Buscapé, claro que com a fórmula e a linguagem do Lona na Lua, que é voltado para o humor, e direcionado a todas as idades. “Nossa principal preocupação é trazer a família para o teatro, criando um bom ambiente. Eu tenho uma preocupação muito grande com isso, porque sempre carregam um ranço de que a arte é marginalizada e queremos mostrar que o artista pode ser um cidadão normal e sério. Felizmente já conseguimos mostrar que o Lona na Lua é um lugar de famílias. Minha mãe está aqui comigo, meu pai, minha irmã, minha namorada e se Deus quiser, meus filhos.”

Zeca e Natália estão estudando propostas de outras cidades para abertura de filiais, mas não adiantam nada, por enquanto. Apenas que “as pessoas vão ficar muito felizes”. Muitos estão se apaixonando pelo Lona na Lua. Tem muita gente defendendo a ideia. Os prêmios que receberam (mais de vinte em festivais de teatro) e outros do próprio projeto como o Selo Rio Sociocultural, dado pela Secretaria de Cultura do Estado do Rio, em parceria com o Sebrae e a ONG Rio Solidário, mostram isso. As reportagens positivas que estão saindo na mídia também ajudam. Eu sempre falo que “Não podemos esperar só a classe política tomar iniciativa das coisas.” Estou muito confiante e vivendo uma das melhores fases que já vivi aqui dentro.

"...carregam um ranço de que a arte é marginalizada e queremos mostrar que o artista pode ser um cidadão normal e sério.
“…carregam um ranço de que a arte é marginalizada e queremos mostrar que o artista pode ser um cidadão normal e sério.

“Tenho muito que agradecer aos professores pela confiança, pois temos projetos voltado para as escolas, que trazem os alunos aqui para assistir espetáculos voltados a eles. Zeca tem ido as escolas para desenvolver atividades junto ao corpo docente, envolvendo a forma de lidar com os estudantes. “Também não posso deixar de agradecer aos pais dos alunos pela confiança no trabalho e ao músico Marcelo Kaus, que é produtor musical das peças e um grande parceiro. Estou feliz. Muito feliz (suspira). Ainda passamos dificuldades, porque as aulas sempre foram gratuitas, e financeiramente temos pouco para arcar com o que precisamos como, vigia, material gráfico, material de limpeza, lanche e passagem para os alunos, uniformes, computador… Tudo isso fornecemos a eles e quem colabora é o comércio local. O dia a dia é muito difícil, mas a cada dia temos conquistado mais o respeito de todos.

O Lona na Lua continua de portas abertas para receber novos alunos e futuros atores. Estão sendo abertas novas turmas, em meados de Julho, e os interessados podem se inscrever desde já pelo e-mail lonanalua@yahoo.com. Os interessados recebem uma ficha de inscrição que deverá ser preenchida e enviada. Lembrando que os alunos não precisam ter nenhum conhecimento de teatro e todos são aceitos. O único pré-requisito é o boletim sem notas vermelhas. Porque “o artista tem que estudar, tem que ler, tem que estar informado de tudo.” 

 

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