segunda-feira, junho 26, 2017
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Lava Jato – Itaboraí: Obra de saneamento em Itaboraí citada por delator não saiu do papel

O delator Renato Medeiros, que foi diretor regional da Odebrecht, declarou que a empresa deu dinheiro para campanhas eleitorais no interior do estado do Rio de Janeiro. Em troca, a Odebrecht recebeu apoio para a privatização do sistema de saneamento de alguns municípios. Muitas dessas obras, no entanto, nunca saíram do papel.

Em Itaboraí, segundo o delator, a tentativa de concessão do serviço não deu certo, mas a empresa chegou a dar dinheiro ao deputado federal Eduardo Cunha em busca de uma negociação. Segundo a atual gestão, na cidade, menos da metade das casas está conectada à rede de esgoto.

Nos 92 municípios do estado do Rio de Janeiro, a rede de saneamento básico alcança uma média de 78,6% dos domicílios urbanos, segundo o IBGE. Mas, entre as cidades que ficam abaixo da média, estão Rio das Ostras, com 29,4%; Macaé, com 69%; e Itaboraí, com 40,9% dos domicílios com esgoto.

A investigação mostra que Helil, citado na delação de dois ex-executivos da Odebretch, recebeu vantagens indevidas diretamente ou através de seu partido, pagas pela empreiteira, em troca de obras de saneamento básico que seriam feitas no município.

Em Itaboraí, um valão corta uma boa parte da cidade. Há cerca de cinco anos, o então prefeito, Helil Cardozo, reuniu os moradores do bairro de Ampliação para apresentar um projeto que ia acabar com o valão, com o esgoto que cai e com o lixo acumulado, mas no local nada foi feito.

“É uma vergonha, um homem desses que se diz evangélico, morador da nossa cidade, ter vindo aqui no nosso bairro e ouvir um monte de promessas e nada ter sido feito. Só enganou a gente. Lá em casa a gente votou nele, e hoje se arrependimento matasse, estaríamos todos mortos. Não quero ouvir falar no nome desse homem nunca mais na minha vida, pois Itaboraí só piorou depois que ele foi prefeito. Foi o pior governante de Itaboraí de todos os tempos”, disse a Sra. Maria Tereza, moradora do bairro.

“Nesse período em que estive como diretor regional, Eduardo Cunha procurou Fernando Cunha Reis, que era meu superior hierárquico, porque tinha relações políticas com ele e reportou ao Fernando que o prefeito de Itaboraí tinha interesse de privatizar o saneamento no município (…) No final de junho, recebi uma orientação do meu superior hierárquico, Fernando Reis, que ele havia recebido uma solicitação de doação de campanha, para campanha de deputado do Eduardo Cunha, de R$ 300 mil. Esse pagamento seria feito via caixa 2 (…) Encontrei esse pagamento, ele aparece com o codinome Calota e teria sido feito no final de julho”, diz o delator, em depoimento.

Por Redação CN



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