28 Janeiro 2026

O mercado global de e-bikes: opções acessíveis e testes de desempenho

A popularidade das bicicletas elétricas segue em uma curva ascendente inegável, transformando a mobilidade urbana e o lazer em diversas partes do mundo. No entanto, quando olhamos para o mercado brasileiro em comparação com o cenário internacional, a discrepância no que o dinheiro pode comprar é notável. Enquanto no Brasil o valor médio de uma e-bike gira em torno de R$ 5 mil, entregando muitas vezes conjuntos mais básicos, no exterior, especialmente nos Estados Unidos e Europa, essa mesma faixa de preço — ou até menos — oferece veículos surpreendentemente completos e potentes.

Separamos um panorama com os modelos de entrada que estão dominando o mercado norte-americano abaixo de mil dólares, seguido por uma análise aprofundada de uma opção europeia voltada para terrenos mistos, ilustrando a diversidade desse segmento.

As campeãs do custo-benefício nos EUA

No disputado mercado norte-americano, a barreira dos US$ 1.000 (aproximadamente R$ 5.645 na cotação atual, sem considerar impostos de importação) tornou-se o grande campo de batalha das fabricantes.

A Lectric XP LITE 2.0 surge como a porta de entrada ideal. Considerada por especialistas como a melhor relação custo-benefício da atualidade, essa dobrável custa a partir de US$ 799 (cerca de R$ 4.500). Apesar de ser a mais barata, ela não economiza no essencial: traz um motor de cubo traseiro de 300 W, que atinge picos de 819 W, e alcança 32 km/h. Sua autonomia varia entre 72 km e 130 km, dependendo da bateria escolhida, tudo isso em um pacote relativamente leve de 22 kg.

Subindo um pouco o nível, temos a Lectric XP 3.0, que se consolidou como o modelo mais vendido nos Estados Unidos. Custando US$ 999 (R$ 5.640), ela dobra a aposta na potência e utilidade. O motor salta para 500 W nominais com pico de 1.000 W, permitindo chegar a 45 km/h. O grande diferencial aqui, além da força bruta, é a robustez: o bagageiro traseiro foi reforçado para suportar até 70 kg, tornando-a uma ferramenta de carga viável, embora o peso total da bike suba para 29 kg.

Na cola da líder de vendas aparece a Ride1Up Portola, uma concorrente direta que chega ao mercado por US$ 995 (R$ 5.615). Ela tenta ganhar o consumidor nos detalhes técnicos: oferece um motor de 750 W e mantém a velocidade máxima de 45 km/h. O pacote de componentes é agressivo para a faixa de preço, incluindo suspensão dianteira e freios a disco hidráulicos, itens que garantem uma frenagem mais precisa e segura do que os freios mecânicos comuns nessa categoria.

Para quem prioriza a leveza e a experiência de ciclismo purista, a Propella Mini é a alternativa de destaque. Custando US$ 849 (R$ 4.790), ela pesa apenas 14,9 kg. A diferença fundamental é o sistema de funcionamento: não há acelerador no guidão. A assistência é feita exclusivamente pelo pedal, ou seja, o motor de 250 W entra em ação apenas quando o ciclista faz força, alcançando até 30 km/h. É a escolha certa para quem não quer perder o aspecto de exercício físico.

Análise: Mark2 Scrambler e o desafio dos terrenos mistos

Enquanto o mercado americano foca em potência bruta e aceleradores por preços baixos, o cenário europeu frequentemente apresenta bicicletas com uma proposta híbrida, misturando o deslocamento urbano com trilhas leves. É o caso da Mark2 Scrambler, avaliada recentemente no Reino Unido. Com um preço sugerido de £ 1.399 (caindo de £ 1.799), ela se posiciona numa intersecção interessante entre uma mountain bike hardtail — com suspensão apenas na frente — e uma bicicleta de lazer.

Testada em Sheffield, uma região conhecida por suas ruas residenciais íngremes, caminhos de canais e estradas de terra batida, a Scrambler mostrou a que veio. A geometria do quadro de alumínio 6061 oferece uma condução estável e confortável, tanto no asfalto quanto em trilhas não técnicas. O conjunto inclui pneus Schwalbe Nobby Nic de 27,5 polegadas e uma suspensão dianteira RST Blaze com 120 mm de curso, garantindo aderência e absorção de impacto competentes para o uso recreativo.

No entanto, a bicicleta tem suas limitações, muitas delas atreladas ao preço que tenta manter. O sistema de propulsão utiliza um motor de cubo traseiro Promovec de 250 W (36V/54Nm) alimentado por uma bateria de 375 Wh. Embora o alcance declarado seja de até 100 km, o motor sofre visivelmente em subidas mais íngremes, exigindo bastante esforço do ciclista. Além disso, há um pequeno atraso no desligamento do motor após parar de pedalar, uma peculiaridade que exige adaptação por parte do condutor.

Outro ponto que denota a idade do projeto é a transmissão. A Scrambler utiliza um sistema Shimano Altus de 27 velocidades com um pedivela triplo. Embora funcional, essa configuração parece datada frente à tendência moderna de sistemas de coroa única (1x), que são mais simples e fáceis de manter.

A experiência do usuário também tem seus altos e baixos. O sistema de controle é fácil de usar, mas a tela LCD retroiluminada torna-se difícil de ler durante a pedalada sob luz forte. Um detalhe frustrante notado durante os testes foi a tampa do carregador, que tende a emperrar.

Apesar dessas ressalvas, a Mark2 Scrambler cumpre bem o papel de uma e-bike de lazer robusta. Com freios a disco hidráulicos Shimano e um peso total de 22,4 kg, ela não é excessivamente pesada para manusear e oferece uma assistência suave para aqueles momentos em que um vento de cauda seria bem-vindo. Para quem busca uma opção versátil sem gastar o valor de uma mountain bike elétrica de alta performance, ela se mantém como uma opção honesta, desde que o trajeto não envolva escaladas muito agressivas.