A Estratégia de Choque da Netflix: Entre a Fantasia de Avatar e o Caos de Kevin Hart em Miami
O novo trailer da aguardada série em live-action de Avatar: O Último Mestre do Ar finalmente deu as caras, e o visual está assustadoramente fiel à aclamada animação clássica da Nickelodeon. Com a estreia na Netflix cravada para 22 de fevereiro, a produção carrega uma responsabilidade imensa nas costas. Afinal, a base de fãs ainda guarda cicatrizes daquele filme dirigido pelo M. Night Shyamalan que chegou aos cinemas anos atrás e foi um fiasco absoluto de crítica, atropelando a essência da história em uma adaptação que quase todo mundo prefere esquecer.
Para quem está chegando agora e tentando entender o hype, a trama nos joga no meio de um universo onde uma galera tem o dom de manipular os quatro elementos básicos da natureza: água, terra, fogo e ar. Esses são os famosos “dobradores”. Toda a mitologia gira em torno do Avatar, uma entidade quase divina que ressurge a cada milhões de anos com a missão ingrata de botar ordem na casa e trazer equilíbrio ao mundo, sendo o único capaz de dominar simultaneamente as quatro dobras.
O detentor da vez é Aang, um jovem monge da Tribo do Ar que passou uma eternidade congelado no gelo. A roda começa a girar de verdade quando ele é acidentalmente descoberto pelos jovens Sokka e Katara, da vizinha Tribo da Água. A partir daí, o trio se joga numa jornada cheia de perrengues para que Aang abrace seu destino e consiga frear a opressora Nação do Fogo, um império que toca o terror e controla as outras nações na base do medo e da intimidação.
Mas a gigante do streaming sabe que o público não vive só de jornadas do herói e profecias apocalípticas. Se de um lado a aposta é na fantasia épica, do outro o catálogo injeta uma dose cavalar de comédia escrachada. É exatamente aí que entra a prévia de 72 Hours, o novo filme do diretor Tim Story que chega à plataforma em 24 de julho, provando que o algoritmo da Netflix é feito de extremos.
A premissa abraça o constrangimento alheio sem pena. Kevin Hart interpreta um executivo na faixa dos 40 anos desesperado por um empurrão na carreira. Numa tentativa bizarra de “se conectar com a juventude”, ele acaba caindo de gaiato num grupo de WhatsApp cheio de caras nos seus vinte e poucos anos e se joga no meio de uma despedida de solteiro completamente insana em Miami. A dinâmica de choque de gerações já fica óbvia no trailer, especialmente quando o personagem de Marcello Hernández manda na lata: “É muito bizarro você ter vindo. Eu não fazia ideia de que você tinha, tipo, uns 50 anos.”
Além de Hernández, o elenco é uma panela de pressão cômica que reúne Mason Gooding, Teyana Taylor, Andy Garcia, Kam Patterson, Kevin Dunn, e figurinhas carimbadas do Saturday Night Live como Zach Cherry e Ben Marshall – este último chegou a classificar o projeto recentemente no The Hollywood Reporter como “uma comédia maluca, gigante e sem filtro”. O roteiro absurdo leva as assinaturas de Jon Hurwitz, Hayden Schlossberg, Kevin Burrows e Matt Mider.
É o tipo de produção pipoca pesada, encabeçada pela Sony Pictures e com um exército de produtores nos bastidores, incluindo o próprio Tim Story, Hart, John Davis, Josh Heald, Luke Kelly-Clyne, Bryan Smiley e Will Packer. E, pelo visto, Hart decidiu simplesmente não dormir este ano. O cara foi o centro das atenções no The Roast of Kevin Hart, que estreou domingo na plataforma, e ainda vai bater ponto nos cinemas no final do ano com Jumanji: Open World. No fim das contas, seja salvando o mundo com os quatro elementos ou sobrevivendo a uma ressaca homérica em Miami, a estratégia parece ser não deixar o espectador desgrudar da tela.